As sequências de fotos inesperadas, esbanjando bom humor e pura poesia desta semana é de autoria do fotógrafo Jordan Matter em seu ensaio “Dancers Among Us” (Bailarinos entre nós, em bom português), que inclusive já foi publicado em livro. O fotógrafo americano sempre foi cercado por arte durante sua vida: avô fotógrafo, pai diretor de cinema e mãe modelo. Mas recentemente, outro laço afetivo inspira os trabalhos de Matter: seus filhos.
Foi observando as brincadeiras do pequeno de 3 anos, que o fotógrafo percebeu o quanto o “mundo dos adultos” se transforma em uma vida séria e completamente sem graça, perdendo assim o entusiasmo e o improviso que desenvolvemos na infância. Mas foi apenas depois de assistir um espetáculo de dança, que Matter conseguiu visualizar o projeto que moveria sua vida: vincular os movimentos dos artistas com a imaginação presente nas crianças. Finalmente em 2009, o fotógrafo americano começa a clicar dançarinos profissionais voando em lugares comuns, compondo cenas improváveis.



Este ensaio nos mostra que a arte não tem limite, tampouco divisões. A dança transpõe a fronteira dos palcos para alegrar um cotidiano qualquer, que se torna o nosso cotidiano. Os dançarinos resgatam o improviso, a genialidade e a alegria que as crianças geralmente encaram o Mundo. Neste ensaio, não se restringe a uma ação e sensação: do pulo de pressa, de desespero, de felicidade ou de dor. Dos dançarinos que são atores, são modelos, são pessoas tão comum como a gente. Misturam-se as cenas, as pessoas, as cores, os barulhos. Causando-nos um curioso sentimento: uma felicidade, que vem não sei de onde, mas é bem vinda. É um humor que não cabe, não basta em uma foto e precisa se concretizar em nossos lábios.
Um dos aspectos mais interessante deste ensaio, contudo, é a grande quantidade das composições de Matter serem relacionadas à uma profissão. Neste sentido, a dança possibilita o famoso “jogo de cintura” que precisamos desenvolver no ambiente de trabalho, exigindo flexibilidade do profissional, e por que não bom humor e criatividade ao abordar o cliente?




“Bailarinos entre nós” é um lindo trabalho que insere os admiradores dos trabalhos de Matter como parte da obra, já que é recorrente a representação de cenas triviais. Uma conhecida frase de Nietzsche diz “não acredito em um Deus que não saiba dançar”. Eu, parafraseando o filósofo, e depois de conhecer o trabalho de Jordan Matter, declaro: não acredito em alguém que, depois dessas fotos, não queira dançar. Este ensaio talvez seja o melhor antídoto para espantar o mau humor de fim de julho.


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