O músico Totally Enormous Extinct Dinosaurs
Se há algo que não me consigo aceitar é o sentimento hipster de alguém não querer que algo que ele/ela goste seja conhecido por muitos, aquele egoísmo vindo do medo de que algo perca um sentido próprio no momento em que se populariza. Bobagem. Tenho para mim que significados se multiplicam quanto mais uma obra é dividida.
Digo isso pois, de um tempo para cá, a palavra compartilhamento se tornou mais presente em nosso cotidiano, principalmente dos usuários frequentes da Internet. Os desenvolvedores da Web sacaram uma tendência natural da maior parte das pessoas em querer mostrar aos outros aquilo que lhes agrada, seja para firmar sua identidade perante os outros, para propagar um ideal ou filosofia ou apenas para agradar alguém querido com algo que a pessoa pode curtir também. Com isso, penso que os hipsters acabam ou agindo contra nossa natureza, ou simplesmente não são artistas.
Felipe Morozini
Ian Francis
Desde que a Arte é entendida como tal, a exposição dos trabalhos é quase uma consequência natural a produção. O artista pode até ser tímido e guardar algo bom que fez, mas quem descobre uma bela obra acaba dando um jeito de mostrá-la ao mundo todo. Na era digital, isso implica em uma feliz multiplicação de coisas boas que não teríamos acesso caso uns ou outros não tivessem tido a ideia de compartilhá-las.
E tem aquilo de coisas boas chamarem mais coisas boas, sabe? Alguém compartilha um link ou imagem com você que te encaminha para uma galeria ou álbum com mais alguns outros interesses que você não sabia que teria até tropeçar com eles pela Web. Pense bem quantos são os fotógrafos, músicos, cineastas ou escritores que você mais acompanha hoje e quantos deles não vieram para você como uma dica de alguém ou consequência de uma sugestão.
David Choe
Ser artista hoje em dia implica em conhecer e saber usar os recursos que a Rede nos dá para sermos vistos, da mesma forma que podemos utilizar esses serviços como usuários e expandir cada vez mais nosso repertório à medida que multiplicamos a informação e a levamos também a outros. Afinal, como diria o poeta, “tudo o que é bonito é para se mostrar”.
Para ilustrar este post, nada mais justo do que compartilhar com vocês alguns dos artistas que tem me fascinado nos últimos tempos (acho que todos eles já passaram pelas páginas de Em Quadros pelo menos uma vez, mas a própria coluna existe para ser dividida e não faria o menor sentido trabalhar com arte, inspiração e criatividade sem ter isso em mente).
Até a próxima!
Nina Mikagawa
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